<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812</id><updated>2011-07-07T20:18:14.978-07:00</updated><title type='text'>o mundo fica pra outro dia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-7479061619837751082</id><published>2010-01-24T19:11:00.000-08:00</published><updated>2010-01-24T19:12:11.732-08:00</updated><title type='text'>Milonga Abaixo de Mau Tempo</title><content type='html'>Em um dia de vitória, eu tentei matar leões que pareciam fantasmas de um tão recorrente passado. Não que eu tivesse pretensão de controlar o tempo - foi só um pequeno desejo. Não que eu tivesse a intenção de tornar meu corpo ignorante - foi um desejo secreto. Mas eu quis e não posso negar a vontade: quis matar meu cérebro, quis verdadeira ignorância, quis ficar aqui parado. Tal vontade que me mostra até onde devo sonhar enquanto enxergo, enquanto vivo, enquanto piso no chão. Mas até onde enxergo? Não consigo ver o limite. Essa falta de fronteiras combina-se com a falta de realidade, colocando-me no chão.&lt;br /&gt;Ponha-me, eu levanto. Não pensa que é algo novo para mim; não pensa que essa merda cinza que passa em minha língua tem gosto incomum. Eu sinto a sujeira e até estranho ficar muito tempo sem voltar a ela. Geralmente vem assim: quando menos se espera, quanto mais distraído você está. Carpete imundo que faz queda atenuada - me conforta, me faz querer gritar lar, doce lar. &lt;br /&gt;Foi quando a saudade chegou no limite máximo - no primeiro momento, realmente voltei para minha casa imunda, mas agora bocejo, tenho preguiça e sinto vontade de rir do meu egoísmo; acho até que merece ficar longe de mim. Por que não disse que era a última vez que eu subiria tantas escadas? E por que tem que me transformar tanto? Quem sou eu há um ano atrás... hoje... ano que vem. Quem mais me transformará?&lt;br /&gt;Eu, que não quis receber calor. Muda-me. E conseguiu. Eu, que passei reto, que te deu a mão gelada e recebeu outra em troca. Eu, que ensaiei essa despedida e fico rindo nos bastidores. Mas eu voltei pra casa. E eu não acredito em última vez. Busco incessantemente - sabe disso. Nuvem, expulsa esse sol que castiga e fecha o céu só para si. Vamos aproveitar que o tempo está assim, perfeito. Erguemos uma taça de álcool puro, bebemos e caímos no chão - grita: lar, doce lar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-7479061619837751082?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/7479061619837751082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=7479061619837751082' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/7479061619837751082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/7479061619837751082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2010/01/milonga-abaixo-de-mau-tempo.html' title='Milonga Abaixo de Mau Tempo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-2385786179677223664</id><published>2009-05-28T12:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T12:32:38.912-07:00</updated><title type='text'>Fúria</title><content type='html'>Em um calabouço esperando a sentença. O homem não vinha nunca - precisarei chamá-lo? O mundo agora era um cubículo de vidro seco que corta sem ninguém ouvir. De marcha fúnebre e festas infestadas de pessoas desapercebidas. De cheiro de doença e de ar inevitável. De festim que está sendo preparado em minha homenagem e delas, que traziam a cabeça em ossos do animal. De superficialidade e de pedidos para que não esperasse nada. E de quem ainda sua frio e não completa a mensagem. De quem é apenas um entre centenas, para quem é apenas um entre um. De quem pensa e não é pensado.&lt;br /&gt;De duas tiras de madeira e de guilhotina é feito o futuro. De dèjá vús e de sapatos com pontas erguidas, de chapéus com guizados, de barulhos que relembram minha presença. De luz que não ilumina, de branco apático, de não ter nada a esperar. De não ter o que dizer, de viajar à lua, de virar astronauta e brincar de Deus. De ter consciência, de não poder exigir, de nunca mudar, de continuar a inchar. De saber que não vai explodir, de rogar a praga, de despejar fungos. De infecções generalizadas, de cortes abruptos, de ser indiferente. De conquistar atenção, de criar a cura e não contar, de vosso patrão, meu respeito. De obedecer, de respeitar, de curvar-se, de declarar inspiração, de viver futuro, de infestar teu quarto de pragas. De não esquecer por um segundo, de não esquecer por uma frase.&lt;br /&gt;De barreiras que não impedem a comunicação: "sua vez".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-2385786179677223664?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/2385786179677223664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=2385786179677223664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2385786179677223664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2385786179677223664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2009/05/furia.html' title='Fúria'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-961510532090007371</id><published>2009-05-02T21:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T21:20:01.767-07:00</updated><title type='text'>Ansiedade Que Precede a Apresentação de Uma Peça Teatral Para Seus Melhores Amigos</title><content type='html'>Começou com um rascunho de idéias que jamais foram fixas. Mudavam a cada segundo, assim como seu temperamento. Não era de se estranhar que o arrependimento batesse à porta com mais frequência nos invernos - tempo de se recolher e proteger-se de estranhos. O grafite estava fraco. As palavras poderiam ser facilmente apagadas. Mas ele continuou, com a certeza de que estava fazendo o correto.&lt;br /&gt;Sabia que por impulsos não se chegava a nada, assim como sabia que nunca aprenderia a lição. Continuava, continuava. Rangia os dentes, visualizando as piores cenas possíveis. O script estava quase pronto. Os atores já estavam escalados. De quem seriam as falas? Ou melhor: sequer teriam falas? O charme estava no silêncio - pior inimigo do escritor. Provava mais uma vez como sabia de tudo: conhecia seu medo pelo silêncio, sua fraqueza e facilidade em desabar ouvindo... nada.&lt;br /&gt;Ponto final. Não se ouviu mais nenhuma voz. O futuro queria gritar, mas não podia. O futuro queria ser visto... Mas ele não deixava quebrar o silêncio. Vamos lá, só desta vez. Tira esse orgulho. Você nunca foi altruísta. Você nunca foi bonzinho. Se você fosse, talvez receberia o papel de herói. Mas não: você apenas cria histórias, exagera em detalhes, controla a vida de suas marionetes como bem quer. Ele pegou o lápis e fez um movimento no ar. Ouviu-se um grito. Vislumbrou-se o futuro.&lt;br /&gt;Em imagens densas, ele olhava por olhos de terceiros uma encenação culminando em vaias. Foi o choque. Foi uma misericórdia que ele pudesse ter a chance de assistir ao momento com tamanha antecedência. Ele teria que passar a acreditar: foi, sim, uma intervenção divina. E entre um sorriso e outro, repetiu que tudo que vai, volta. É verdade, é verdade.&lt;br /&gt;Foi por isso que o escritor passou a tremer com tanta violência após ter a visão de seu futuro. Talvez esse seja o motivo que o levou ao choro, ao momento em que se viu. Era com isso que ele sonhava? Era isso que ele queria? É claro que não. E teve que admitir: se há merda agora, haverá merda no futuro. Pare, pare, pelo amor de Deus, pare! Você não é nenhuma pestilência! Não há como contaminar quem você tanto quer. Junte-se ao bando. Sai do pântano e caia bêbado no meio da rua, pedindo por mais cerveja barata.&lt;br /&gt;O escritor só podia agradecer à quem lhe deu essa súbita iluminação. Não seria mais inimigo do tempo ou de quem quisesse se meter em seu caminho. Ele não será engolido pelo futuro. Não: ele se prepará e apresentará a seus amigos a melhor peça que já escreveu em toda sua vida. Por favor, chegue mais. Enche aí o copo, que eu vou apagar as frases ruins e trabalhar um pouco mais neste texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-961510532090007371?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/961510532090007371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=961510532090007371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/961510532090007371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/961510532090007371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2009/05/ansiedade-que-precede-apresentacao-de.html' title='Ansiedade Que Precede a Apresentação de Uma Peça Teatral Para Seus Melhores Amigos'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-8134694114058061601</id><published>2009-04-15T10:39:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T12:52:12.190-07:00</updated><title type='text'>Alexandria</title><content type='html'>Minha transmissão, talvez um dia global, começou e terminou nestas paredes de mármore, aquecidas pelo Sol. Em um sagüão gigante, cercado de meus amigos prontos para aplaudir a queda, estava eu e o fogo. O que ainda sou? Qual é minha identidade?&lt;br /&gt;Apenas sei que estava em estado de paralisia - como se rever o passado me causasse uma náusea constante. Eu já era oco, vazio, e isso explicava muitas coisas. Onde está meu corpo? Deitado nas construções de Alexandria ou mumificado? Quem retirou meus órgãos senão eu mesmo? Eu era apenas pele - uma imagem que enganava até o melhor observador.&lt;br /&gt;Mas se estou tão vazio e mudo, talvez eu entenda a aversão dos outros. Ah, eu sinto tanta vergonha de tudo que já escrevi... e esta terá que ser a última vez. E de onde posso buscar inspiração senão de minha própria vida? Mas e se nunca vivi... o que irei escrever? Você pode me ensinar?&lt;br /&gt;Ainda sinto que quando abro a boca vomitarei a mim mesmo. Tenho tantas ataduras em meu corpo e não sei o que fiz. Há algo que ainda bate. E em dois pratos, eu colocava a pena e o músculo avermelhado. Para que lado penderá a balança? Se tudo deu certo, coisas mortas não pesam nada. E a pena vencerá. Irei ao céu.&lt;br /&gt;Se estou aqui, foi para escrever meu testamento. Inspiro e relembro tudo o que vivi... todos os manuscritos precisam morrer. Antes, eu reuni meus papiros em uma pilha, em clima de despedida. E agora eu poderia dar início a meu último renascimento:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;"Há tantos motivos para parar e há tantos motivos para dizer que não faz diferença estar bem. Entre o corpo esquálido e o cálice vazio, entre os lábios rachados e as juras do que restou de mim frente a meus medos... o que contarei para meus filhos? Por que me acordou? Por que me quer bem? Não me importa ser exato no que desejei. Quem me quis bem fez notar a indiferença frente a meu corpo, deslizando a queda sem fim. Ah, quem me dera desaparecer antes de alcançar... Pois a mim foi erro não pensar que esquecer fosse um vício. E meus erros viriam para tirar de mim e entregar àqueles que cospem na terra em que meu amor fincou sua raiz. Como posso ter a certeza de uma escolha justa? Apenas sei que, se fui rei, fui rei das chagas."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei dentro de mim como nunca havia feito antes e procurei alguma identidade. Mas apenas achei cópias e mais cópias, me levando à conclusão de que minhas últimas palavras não foram tão grandiosas assim, afinal. &lt;br /&gt;E descobri, nestes últimos instantes, que talvez nunca conquistei império algum. Já fui rei? Ou somente um projetor? Talvez o fogo me responda. Talvez, se eu iniciar o espetáculo.&lt;br /&gt;Juntei toda a minha vida em uma pilha. Meus caminhos ao céu estavam traçados - o veneno do corpo foi extraído nas últimas palavras desperdiçadas. Agora arranca a língua e transforma em fogo pra jogar na água - a vida. Agora entenda que nestas águas criou-se um rio que separou dois corpos brilhando ao Sol e expondo carne podre à corvos brancos. Que de dois corpos, um flutuava e outro tinha seu ombro castigado pelo peso.&lt;br /&gt;As construções deixaram de ser douradas. As línguas me devoraram. Novas gerações vêm e o passado é esquecido. Talvez eu tenha mesmo me perdido no meio de tantas palavras... E, mais forte do que nunca, o Sol castigava a biblioteca de Alexandria.&lt;br /&gt;Pai, corta as asas que me destes e joga ao fogo. Deixa eu voltar para o ninho. Por favor, me dê a cicuta e acaba logo. Espero a tumba, espero dicionários queimados, espero que o alfabeto não tenha passado de uma utopia. Me arrependo tanto de ter me arriscado a viver... E te prometo que a risada não será meu ato final. Pai, seca todas as tintas do mundo e impeça que eu termine de escrever meu destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-8134694114058061601?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/8134694114058061601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=8134694114058061601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/8134694114058061601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/8134694114058061601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2009/04/alexandria.html' title='Alexandria'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-5321788043102997342</id><published>2008-11-29T17:09:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T18:10:19.500-08:00</updated><title type='text'>Cortando Palavras e Guardando as Sobras (Para Todos Vocês)</title><content type='html'>Como posso me surpreender mais com luzes novas do que com velhas? Por vezes acho que devo ser apresentado à vocês, novas conhecidas. A certeza de que a reciprocidade é maior cresce cada vez mais.&lt;br /&gt;Parem. Sempre soube que estas luzes nunca me fizeram feliz. E vocês se movimentam, rapidamente. Vocês, em uma multidão, unem-se, cantam. Cansei de estar nessa rua mal iluminada.&lt;br /&gt;Como escrevo isso? Não sei. Me apunhalou sem sequer avisar que me mataria; por quê? Porque sabia que eu não iria me importar. Porque tenho coisas mais importantes a fazer. Sempre estive na penumbra e não há desculpas para não me achar. Quer me acompanhar?&lt;br /&gt;Toda a raiva existente no mundo suicidou-se em uma semana. Não havia sentido para explicar, sequer para entender. Tempo não precisa ser perdido explicando ou entendendo. Tempo perdeu-se no tempo, como todos os outros. Tempo já é um velho em uma cadeira de rodas, sempre como conhecido de todos. Ele nunca morre. Ele nunca muda. Ele mata, mas é bonzinho. Tempo camarada, amigo de todos.&lt;br /&gt;Então eu caminhei na cidade das luzes e, por mais que você tivesse me matado, eu não poderia reprimir uma felicidade clandestina que sempre cresce em mim quando venho aqui. Era soluçante e feliz. E o mais triste de tudo... é que tudo ficaria sempre apenas nos queros. Quero imaginar este céu e todos vocês comigo. Quero conhecer o mais íntimo do mundo de cada um. Quero saber o que é viver com vocês. Quero saber o que vocês vivem. Quero que me ensinem. Quero fugir, quero... quero... sempre quis e sempre irei querer. Pois quando quero, sou feliz por segundos. Quando quero, atinjo o limite da demência. E me mato no instante posterior.&lt;br /&gt;Me diga que tudo não será em vão e que você não se importa com minha companhia. Diz que você irá rir do que eu falar. Fale (também) comigo. Deixe de ter quatro lados, expanda-se. E olhe ao seu redor. Levanto meus braços e te mostro: aqui estou eu. Olhe para mim, luz velha.&lt;br /&gt;E para você, luz nova, te digo que assassinei o ano novo para ficar contigo. O tempo ficou estático e nunca mais fará história. À todos vocês que eu quero para alguns sempres, sejam novos e não envelheçam. E se envelhecerem, me levem junto. Deixe eu conhecer vocês. Não sejam tristes; apenas lembrem-se de todos os seus verões ensolarados em que eu nunca estive e ria, ria do que aconteceu.&lt;br /&gt;Agora a madrugada iniciou sua atividade... e ainda estou sóbrio. Já nem ligo mais para o sentido e o significado. Você nunca percebeu que andar nas luzes me faz sentir mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;And when the day is late&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;We know who must forever wait&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-5321788043102997342?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/5321788043102997342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=5321788043102997342' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5321788043102997342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5321788043102997342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/11/cortando-palavras-e-guardando-as-sobras.html' title='Cortando Palavras e Guardando as Sobras (Para Todos Vocês)'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-5420165480778961758</id><published>2008-07-15T06:35:00.000-07:00</published><updated>2008-07-15T14:41:12.513-07:00</updated><title type='text'>Falta de Ar</title><content type='html'>Porque tudo estava ao meu controle. Era a capacidade de melhorar que estava em jogo. Mas não adianta: decepções, quando vêm, vêm uma atrás da outra, seguidamente, sem deixar você respirar. É um corte horizontal infinito, decepando mil pescoços, sem deixar rastro. Não há sangue que prove, porque não se pode deixar provas - provas não valem nada.&lt;br /&gt;Exceto quando a prova é com você mesmo. O calor. As gotas que escorrem pela testa, frias. Não de nervosismo, e sim por fatores naturais. Porém eu posso controlar. A naturalidade das evidências devem ser ignoradas - eu só devo me concentrar no que de fato pode ser mudado. Pois eu mudo: eu vou até a metade e consigo esculpir um caminho invejado. Da metade para o fim, tudo segue torto e passa mais rápido. Eu só vislumbro algumas imagens, tortas. Fico parado.&lt;br /&gt;Não consigo mais impressionar ninguém.&lt;br /&gt;Aquela velha sensação de um verão colocado no lugar errado. Que não esquenta, só faz suar. Ausência de anormalidades. É como um carnaval deserto.&lt;br /&gt;Tudo foge ao meu controle. Cada palavra que eu disser pode ser usada contra mim. Vou sair daqui. Não quero ser atacado agora. Respirarei. Em seguida, podem dizer tudo. E tudo que eu escrevo acaba se tornando como uma mera tempestade no lugar mais pacífico. Porque eu sei que tudo só piora dependendo da minha vontade - e eu quero o pior do pior. Quero me sentir mal. Quero vomitar, esquartejar, matar.&lt;br /&gt;No fim das contas, sou só eu.&lt;br /&gt;Tudo que se constrói a minha volta foi feito por mim. E eu mereço que me digam o que quiserem. Cortem suas palavras e me sufoquem. Mas não se esqueçam: cumpri a primeira metade. Eu não consigo me melhorar.&lt;br /&gt;Falhas, tropeços, caras estranhas, caras feias. O problema maior: eu não posso lutar contra o tempo. O pior jeito - o único jeito - é esperar pacientemente.&lt;br /&gt;Não me perguntem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;This street has an end&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I have failed&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Never will again&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pretendia postar nada até o projeto de oito ou nove contos que eu tô fazendo, chamado As Nuvens São Deles, Os Campos São Nossos. Mas devido aos últimos acontecimentos, foi inevitável. Falta de Ar é quase um irmão gêmeo do Pequenas Idealizações. Aqui não há historinha, nem personagens. Aqui estão as minhas decepções. Sei que é desnecessário falar isso, mas enfim. Escrever, às vezes, é tornar as coisas muito piores do que já são.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-5420165480778961758?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/5420165480778961758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=5420165480778961758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5420165480778961758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5420165480778961758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/07/decepo.html' title='Falta de Ar'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-6382176218686531132</id><published>2008-06-28T18:44:00.000-07:00</published><updated>2008-06-28T19:21:28.112-07:00</updated><title type='text'>Plural de Tênis (Dois Modos de Ver a Única Queda)</title><content type='html'>Nós falamos a mesma coisa, mas não podemos falar o que pensamos. Nós caímos todos os dias. Eu pedi para que ela me seguisse até em casa. Sim, eu falhei. Eu precisava. E ela me seguiu, obedientemente. Uma obediência perfeita. Ela não avançava e nem retrocedia um ponto que fosse. Andava comigo. Nós, juntos.&lt;br /&gt;Eu acordei. Estava deitado em um banco, no meio de uma calçada. Parecia um mendigo, mas não era. Não que eu soubesse quem eu fosse. Mas eu deveria cumprir minha rotina como sempre. Não era feito para pensar ou mesmo viver - o que acontece é que o mais importante agora era me vestir para... fazer algo importante. Coisas importantes acontecem todos os dias e eu, uma mera peça, tenho essa percepção.&lt;br /&gt;Vesti uma camiseta branca ao redor de meu tronco magro e esquelético - ali mesmo, na rua - e coloquei um casaco. A cidade estava cinzenta, como sempre. O que eu notava eram apenas alguns feixes laranjas que volta e meia passavam na minha frente. Deveria ser muito cedo porque não tinha absolutamente ninguém na rua e o sol ainda estava tímido.&lt;br /&gt;Surgiu, então, um vulto caminhando do outro lado da calçada. Ele estava com uma roupa esportiva, então eu não tinha certeza se ele ia trabalhar. Mas creio que sim. Caminhava em passos lentos. Aí que minha observação começou. Olhei para os meus tênis e depois para os do estranho. Era impressionante como naquele verdadeiro cabide humano, onde simplesmente só eram jogados pedaços de pano por cima, o que mais tinha vida era o que o sustentava. Aquele tênis, aqueles tênis, eles tinham vida própria. Eu conseguia ver perfeitamente que ele buscava observar alguma coisa, enxergar alguma coisa. O que me fez deduzir que o tênis procurava algo era o simples fato do estranho caminhar sem cair. Ele tinha um bom equilíbrio, aparentemente. Seus cadarços não eram amarrados.&lt;br /&gt;Imagino que para saber caminhar tão bem, sem tropeço algum, ele não deveria estar muito feliz. Tanto que o tênis procurava algo e eu via isso. Será que ele não se deu conta que a resposta estava exatamente do seu lado? Não que eu mesmo seja a favor disso - só me pergunto por que procurar tanto quando bastava olhar para uma única direção. Ficou muito claro para mim que ele só não analisava o que estava do seu lado porque não queria. Era óbvio que, para ele, seria muito mais fácil visualizar um belo futuro, onde ele, por ventura, por um acaso, algum dia, talvez conseguisse aquilo. Uma situação confortável. Não era necessário realmente querer aquilo, afinal... Se ele realmente quisesse, procuraria primeiramente ao seu redor. No entanto, acomodar-se pareceu a melhor solução. Ninguém gosta de cair mesmo.&lt;br /&gt;Outras pessoas começaram a aparecer. Ao contrário do primeiro cidadão, não eram todas que caminhavam normalmente. A grande maioria, eu reparava, caíam. Seus cadarços eram amarrados uns aos outros, literalmente. Davam um passo, tropeçavam, caíam, levantavam, seguiam em frente. Constantemente. Para levar tantos tombos, elas certamente deveriam estar felizes. Estas, com certeza, resolveram se unir. Eu penso, enquanto que amarrava meus cadarços: essa tal união entre dois tênis faz a vida parar. O tombo pendia para dois lados: um lado próprio e o outro lado, contrário. De vez em quando, até nós errávamos. Mas a culpa nunca era nossa. Ou era de um, ou de outro. Não existe nada entre. Não existe um compartilhamento de idéias. Tudo tem que ser igual. Não pode haver um lado fraco e vulnerável, em contrapartida a outro forte. Cheguei a conclusão de que os malditos tênis não se uniam. Tênis não se unem, porque tênis são um tênis mais outro tênis. São todos iguais exceto, talvez na aparência, mas... afinal, do que valem estes números? Qual a lógica de diminuir dois para um? Duas vidas fundidas em uma só, não é possível. Somos um. E por mais que agreguemos, ou mesmo busquemos (inutilmente) tênis a nossa volta, continuaremos sendo um.&lt;br /&gt;O fato é que eu tinha terminado de amarrar os cadarços brancos. Feixes laranjas continuavam a passar por mim, no meio de uma cidade totalmente cinza. Três pessoas passaram caminhando normalmente por mim, rindo. Estava na hora de eu me levantar e ir para o trabalho. Levantei do banco. Estava preparado para dar o primeiro passo. Um tênis viu uma queda. Outro tênis viu outra queda. Um tênis, dois tênis, o mesmo tênis. Não há diferença. A queda aconteceu. Eu caí e clamei por ela. Não queria. Eu não queria lutar contra tudo que eu pregava, mas quem sou eu para ir contra os meus princípios? Foda-se, todos nós precisamos disso. Eu pedi que ela me levasse para casa. Eu pedi que ela me seguisse. E ela me levou e me seguiu. Me seguiu tão bem, sem recuar nem avançar, que cheguei a pensar que ela fazia parte de mim. Cheguei a pensar que ela estava do meu lado, caminhando comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;We walk around but never turn to see what we have done&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;We choose our moves so carefully for you&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-6382176218686531132?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/6382176218686531132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=6382176218686531132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/6382176218686531132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/6382176218686531132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/06/plural-de-tnis-dois-modos-de-ver-nica.html' title='Plural de Tênis (Dois Modos de Ver a Única Queda)'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-2300998220432557108</id><published>2008-06-15T12:59:00.000-07:00</published><updated>2008-06-15T13:03:51.483-07:00</updated><title type='text'>A Depressão</title><content type='html'>Eu estava numa região absolutamente deserta. O chão parecia uma rocha. Tudo era extremamente seco e eu senti uma imensa sensação de vazio - mais do que nunca na vida. O céu era azul raso, singelo, sem querer se exibir. Na minha frente, apenas uma pequena rampa que subia e descia incessantemente. E eu comecei a descer. Algumas pedras atrapalhavam meu caminho e eu escorregava de minuto em minuto, mas estava tudo bem, no final das contas. Eu não sabia se me sentia mais pesado ou mais leve à medida que descia cada vez mais. O fato é que minha boca estava aberta e pronta para vomitar algo desconhecido. Era necessário expelir essa coisa. Mas eu tinha medo do que poderia sair. De fato, eu não tinha controle sobre mim mesmo. Um vento passava de vez em quando, arrepiando todo os pelos da minha nunca. Formado por vozes que sussurravam diversas passagens históricas, para mim, o vento tentava constantemente me abater. Acho que ele conseguiu, senão eu nem estaria aqui, descendo. Mas eu negava. Eu negava tudo que eu ouvia. Eu sabia que aquilo me faria mal se eu desse atenção. Contudo... era uma sensação tão boa de saber da mais crua e mísera verdade.&lt;br /&gt;Então eu terminei de descer e cheguei no chão propriamente dito. Vi que, mais à minha frente, tinha a outra subida, como eu previra. O caminho não era muito grande. Então, eu comecei. Mas meus passos eram lentos - não porque eu queria - e pesados. O sono me abatia. A preguiça abria caminhos para se pensar. Naturalmente, o resultado seria nulo, porque eu ainda não descobri a gostar de símbolos positivos. Isso me dava raiva. Eu pensava: até que ponto aquela situação era normal? O local parecia tão inabitado - ninguém deveria ter passado por ali antes. Eu acho. Será que isso que eu estava vivendo agora era, enfim, o que todos já passaram desde... desde que se conhecem por gente? Não lembro de ter visto alguma placa durante o caminho me localizando e falando o que eu deveria ter feito. A única coisa que eu sei é que não devo morrer. Ou seja, o caminho mais óbvio já me foi dado. Mas, infelizmente, a obviedade nunca fez parte do meu cotidiano. Eu sempre fui contra ela.&lt;br /&gt;Eu comecei a subir. Não estava sentindo nada. Talvez essa fosse a hora de me alegrar. Bem, não pretendia sair por aí caçando pensamentos felizes. Mais do que nunca, eu notei que o mundo era um porre. O meu próprio individualismo ia contra o que eu dizia. E isso era deprimente. Não adiantava nada, absolutamente nada, o número de seguranças que poderíamos ter ao longo da curta caminhada, como a que eu fiz. No fim, como já era esperado (menos por mim, é claro), o individualismo se faz presente. O que me parecia um absurdo é que, se todos sabiam disso, então por que só eu que era individualista?&lt;br /&gt;Eu finalmente cheguei do outro lado. Eu não via nada. Nem ouvia nada. Eu sabia que algo deveria ter acontecido. Eu sabia que algo deveria ter sido descoberto. Mas nada de especial acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O céu é só uma promessa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu tenho pressa, vamos nessa direção&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Atrás de um sol que nos aqueça&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Minha cabeça não agüenta mais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Perdi a conta das pérolas e porcos que eu cruzei pela estrada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o texto mais tosco e mais pessoal que eu já escrevi. Acho que ele foi o primeiro escrito despejando tudo o que eu sentia. Aqui, a música no final faz um papel importante também: ela sintetiza tudo o que eu tentei escrever. Bem, é isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-2300998220432557108?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/2300998220432557108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=2300998220432557108' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2300998220432557108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2300998220432557108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/06/depresso.html' title='A Depressão'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-5454212282065558416</id><published>2008-06-13T10:02:00.000-07:00</published><updated>2008-06-13T10:05:29.240-07:00</updated><title type='text'>Pistas</title><content type='html'>Ana era seu nome. Ana, ana, ana, ana, ana, eu te odeio. Vou lhes explicar: há uma semana atrás, ela me deixou. Da forma mais sutil possível, ao simplesmente pegar suas malas e deixar, como manda o bom clichê, uma lembrancinha pra mim. Meus instintos estavam sendo segurados até o limite, mas não aguentei. Peguei a tal carta que ela deixou e comecei a ler. À princípio, me esqueci que no ponto limite da raiva, eu a acabei rasgando suas partes. Mas acho que consegui recompô-la como estava antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o princípio básico de nossos relacionamentos - eu digo de nós com todos, e não somente... com nós mesmos. Você tem uma péssima argumentação para todos os ataques que eu citarei posteriormente. Eu ainda acho que é imaturidade. Natural não termos idéia do peso das nossas palavras para depois não ter força para sustentá-las. Mas isso aconteceu inúmeras vezes. Foram inúmeras chances que eu desperdicei. Você não tem a mínima noção de como todos seus atos podem afetar alguém. Sim, você é pior do que pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alívio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui eu lhe apresento a melhor sensação do mundo. Corra todos os riscos possíveis. Morra, mas escape por um triz. Receba as piores notícias, e depois saiba que era tudo mentira. Quero que você sofra na mão de todos, para no final saber que era apenas uma grande brincadeira. Todos nós precisamos de mais alívio do que alguém poderia nos proporcionar, e eu estou lhe dando essa chance. Infelizmente, essa sensação não tem um local de venda específico. Acho até que ela é mais difícil de se conseguir do que algumas coisas superestimadas (e inexistentes) por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Averiguação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então você percebeu que seus erros eram verdadeiros e, no fim, quem estava certa? Hahahaha. Tarde demais. Por um momento, pensei que nada disso fosse valer a pena, pois começou tudo de novo: você se ajoelhando e falando alucinadamente sobre coisas absurdas. Então eu disse que iria sair dali. Você quer saber qual o intuito disso tudo? Por incrível que pareça, você irá até me agradecer depois, acredite. Eu realmente tenho um carinho especial para escrever isso. Óbviamente, seu primeiro instinto será de rasgar essa carta e pensar que todos te odeiam, mas eu sei que você tem capacidade de entender tudo. Você, que sempre achou que o mundo não lhe entendia, não é? E quando se viu sozinho, notou que era verdade. Ninguém te entendia. Isso é um elogio? Bom, eu confio na sua resposta. Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amadorismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você se propõe a participar do circo que é essa vida, tem que ter um mínimo de experiência. É preciso manter o equilíbrio e saber do ponto de cada um. Você, inúmeras vezes, excedia esse ponto. É claro que não se tem uma certa... culpa... por tudo isso. Mas você clamou para ser incluído nesse jogo de gente grande. Cada um tem o seu limite e você não pode atingi-los assim, sem ao menos se conhecer e conhecer os outros! Inúmeras vezes eu cheguei a pensar que esse era, de verdade, o seu objetivo. Qual o prazer em querer conhecer tanto assim das pessoas? E se elas conhessem você assim? E não me venha dizer que a sua vida é um livro. Muito menos todas aquelas coisas que você sempre me mostrou. Aquilo não significa merda alguma. Ninguém te conhece de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anti-Solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra dos seus relatos diários que você fazia pra mim? Lembra do que você fez na semana passada? Você mudou. Você, agora, é um pouco mais normal. E depois de ler tudo isso, espero que, de fato, você possa caminhar como todo mundo. Enfim, lembra do que você disse? Você viu? O tédio não te consome somente - ele assola a vida de muitas outras pessoas, até mesmo as mais inusitadas! Quem diria? Isso é para você ver que nem tudo é tão ruim assim. Ou pelo menos o que parece ser. Sim, você perdeu tempo. Mas ainda há uma vida toda pela frente. Você sabe como vai ser. Serão somente erros, seguidos de erros, e você gosta disso. Você só vive por viver. Você ganha pelo que produz. E o que você produz? Para sua infelicidade, a escolha cabe somente à você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana me deixou com suas cinco palavras começando pela letra A. E eu sei o que ela quis dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;The hand behind this pen relieves a failure everyday.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-5454212282065558416?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/5454212282065558416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=5454212282065558416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5454212282065558416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5454212282065558416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/06/pistas.html' title='Pistas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-716846198861090321</id><published>2008-06-10T10:04:00.000-07:00</published><updated>2008-12-11T00:11:59.212-08:00</updated><title type='text'>Roda-Gigante</title><content type='html'>A vontade de sair de algum lugar para algum lugar era grande e, afinal, foi isso que eu fiz. Fechei. Olhei para frente e me deparei com uma cidade tanto conhecida, como desconhecida. A névoa cobria o horizonte e eu não conseguia ver muito além. O céu era cinza demais, misturando o preto com alguns pequenos pingos brancos. Eu avancei pela fumaça incolor até chegar em uma espécie de guarita ou algo parecido. Não sabia se era um atendimento. O anão falou, do jeito mais zangado e irritado possível, o valor do preço. E eu, educadamente, com o maior carinho, respondi que o preço não se pagava da forma que ele pensava. Simplesmente o ignorei e fui direto, caminhando pelas trilhas de chão marrom que eu visualizava. O verde contrastava intensamente. Aí que tudo mudou: a neblina dissipou-se, dando lugar a uma porta, simplesmente no meio do nada. Chegava a ser cômico. Era uma espécie de passagem, mas eu poderia apenas passar pelo lado da porta que não mudaria nada. Porém, trocentas luzes indicando que eu deveria passar por ela não poderiam estar ali por acaso. Eu parei e analisei.&lt;br /&gt;Quer dizer, eu sempre quis estar ali, certo? Será que eu acordei no lugar que eu nunca quis estar? Mas isso só aconteceria uma vez por ano, ou por vida, ou por mês. Nada vai mudar após isso. Eu fechei os olhos. Tudo bem, eu realmente fiquei com medo de abrir eles e enxergar o que eu não queria ver. Mas eu não poderia olhar para trás e voltar para tudo que eu deixei. Eu não queria. Então, a alternativa era óbvia. Aliás, mais necessária do que óbvia, porque eu precisava respirar e passar pela porta me dava a sensação de ganhar oxigênio novo. Uma última vez, eu olhei para o céu negro. E uma última vez, eu olhei para trás, para visualizar nada além de uma névoa um tanto assustadora. Eu estava em um lugar seguro - até agora.&lt;br /&gt;Então eu abri a porta e a atravessei. Bem, se era pra acontecer alguma coisa mágica, então o plano fracassou. Mas espera. Algo aconteceu sim. A visão que eu tinha antes de entrar na porta era de que além apenas havia uma mata, muito verde. Eu abri a porta. O que aconteceu foi uma coisa no céu. Eu não entendi. Ele estava... se condensando. E uma tenda gigante surgiu na minha frente. Ok, me certifiquei de que não estava com bafo de cerveja ou algo parecido. Caminhei até a tenda. A sua entrada era muito escura e nela tinha um corredor longo, com um brilho lá no fim. Eu o atravessei - morrendo de medo, naturalmente -, mas o que eu vi depois valeu a pena.&lt;br /&gt;Sinceramente, eu acho que estava dentro de um sonho meu. O horário, eu tinha certeza: estava entre quatro e cinco da tarde. Talvez fosse domingo - eu torcia para que fosse, assim eles não seriam mais depressivos. O céu estava vermelho, roxo, azul, azul claro, branco, amarelo. As nuvens cobriam grande parte dele. Eu avistava, além dos morros, alguns moinhos, dourados. E, na minha frente, o que tinha era uma população levemente grande. Muitas pessoas - a maioria da minha idade. Eu estava em um parque. Tinham outras tendas menores ao meu lado, onde algumas pessoas comiam e bebiam. E tinha uma roda-gigante na minha frente, onde eu enxergava... Meus amigos? Todos estavam lá. Mas eu não sei se eram realmente eles - não tinham rosto! Aliás, reparei melhor e ninguém tinha rosto. Era bizarro: as faces eram vazias e tudo que se via era uma boca, por onde eu achei que emitiram algum som, espero.&lt;br /&gt;Fiquei horas vendo a roda-gigante e as pessoas conhecidas, ou não, que estavam nela. Horas em silêncio. Então, tive uma vontade irrefreável de subir, de alguma forma, no topo mais alto dela e saltar. Gritei para algum qualquer que estava na roda e qual foi a minha surpresa? O céu, que na hora estava verde, se fechou. Todas as pessoas correram. As que estavam na roda saltaram dela (e sobreviveram). Correram para as tendas pequenas, onde aparentemente eram servidas as comidas. E então, começou a chover. Eu não sabia se ria ou se chorava, então o que me restou foi, novamente, verificar se estava com bafo de cerveja. Ou esperar que alguém me acordasse. Mas eu não ficaria ali parado esperando que as gotas caíssem na minha cabeça. Então, me juntei ao pessoal estranho.&lt;br /&gt;Eu adorava a chuva, eu odiava a chuva, eu já gostei mais da chuva. Fiquei contemplando ela do lado dos meus amigos bizarros sem rosto mas com boca. Eles emitiam muxoxos esquisitos, como se fosse um gemido contínuo ou algo que queriam falar mas não conseguiam. A chuva não parava de cair. E eu fracassei mais uma vez, no dia de sol. Malditos dias em que a luminosidade se fazia. Quando que eu aprenderia a domá-los? Por mais quanto tempo que eu terei de correr e ficar protegido, observando os meus dias de chuva?&lt;br /&gt;Tudo se fez claro. Tudo. De repente, eu percebi que não era o único que me sentia estranho quando não chovia. De repente, eu notei que todos tinham seus problemas. Todos éramos problemas ambulantes! Eu era um monstro. Eu era a pessoa mais egoísta do mundo. Como eu pude, durante todo esse tempo? Eu olhei para as pessoas ao meu redor. Seus olhares vagos eram a melhor indicação que eu precisava. Não era só eu, afinal. E eu não me sentia um justiceiro por notar isso. Não, não, eu simplesmente percebi o quão idiota e frágil estive por tanto tempo quando, na verdade, todos somos assim. Senti nojo. Queria sair do meu próprio corpo. Eu corri para a chuva. Gritei alto. Sim, o sol viria e eu iria saber viver nele. Da minha parte, afinidade já tínhamos. Não quero mais sensação alguma de segurança. Já estive seguro por muito tempo.&lt;br /&gt;Eu segurei a lanterna e iluminei a névoa do verão. Se o verão não viesse, então eu que aprendesse a trazê-lo pra mim. Pois eu o farei, e arrastarei junto comigo milhares de pessoas e passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E eu não quero mais descer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não tenho medo de você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu só preciso de você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não tenho medo de me perder&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por aí&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210311887490606498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SYJDc2_BZuc/SE6_DmbfZaI/AAAAAAAAAAY/fqBLSiSijL4/s400/21_g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-716846198861090321?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/716846198861090321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=716846198861090321' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/716846198861090321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/716846198861090321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/06/roda-gigante.html' title='Roda-Gigante'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SYJDc2_BZuc/SE6_DmbfZaI/AAAAAAAAAAY/fqBLSiSijL4/s72-c/21_g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-515482346948865184</id><published>2008-06-06T09:08:00.000-07:00</published><updated>2008-06-07T21:10:03.788-07:00</updated><title type='text'>Letra Invisível</title><content type='html'>Isso não é o que se pode chamar de uma história original. Mas não importa: é a vida real.&lt;br /&gt;Tinha acabado de fechar a porta de casa. Eu estava faminto - minha irmã tinha comido o meu sanduíche - mas eu não podia perder tempo: o campeonato de skate estava pra começar. Eu iria em um lugar novo e conhecer novas pessoas - precisava disso. Andei sem pressa (por que eu estava sem pressa?) na avenida principal, observando o mar do outro lado. O sol estava forte. O dia estava perfeito e movimentado.&lt;br /&gt;O campeonato não havia começado. Os skatistas estavam praticando. O lugar estava cheio e eu me senti um pouco estranho. Saí e fui para a entrada. Lá tinha menos pessoas e eu poderia esperar até começar a competição. Sentei e fiquei observando um grupo de amigos que bebiam animadamente. Pareciam pessoas legais. Pensei em me aproximar deles. Levantei e estava na metade do caminho, quando ouvi alguém gritar meu nome. Me virei e vi uma menina correndo na minha direção. Era a minha vizinha. Nos cumprimentamos e voltamos para onde eu estava sentado anteriormente.&lt;br /&gt;Ela era uma grande amiga. Nos conhecíamos desde criança. Na verdade, nos conhecíamos muito bem.&lt;br /&gt;- E a sua namorada? - ela perguntou.&lt;br /&gt;- Não soube? Toda escola não pára de comentar. Terminamos o namoro.&lt;br /&gt;- Ah... - seu cabelo curto e tingido de loiro balançou um pouco - E seus amigos?&lt;br /&gt;- Não conhecem esse lugar. Às vezes tenho uns acessos de me aventurar por aí, mas no fim acabo sempre voltando pra casa.&lt;br /&gt;- Sei - ela riu - Você tá com algum problema?&lt;br /&gt;É incrível como ela sempre sabia. Nossas conversas eram verdadeiras terapias.&lt;br /&gt;- Tô? Não sei. Tô numa fase de me importar com algo a mais, sabe?&lt;br /&gt;- Você deveria é se importar com você.&lt;br /&gt;- É esse o "nosso" mal! Nos importamos somente com nós mesmos.&lt;br /&gt;- Mas se não nos importarmos, quem vai se importar?&lt;br /&gt;- Eu me importo.&lt;br /&gt;- Você não disse que estava se importando além?&lt;br /&gt;- Essa conversa é uma droga.&lt;br /&gt;Silêncio. Então comecei:&lt;br /&gt;- Eu quero dizer, problemas sempre existiram. Mas há coisas... Eu apenas sinto que há muito mais do que escola, professores, namoradas lá fora. São diferentes níveis de coisas e isso tá acontecendo comigo. E nossos problemas acabam ficando tão menores...&lt;br /&gt;- Exceto quando eles acontecem com você.&lt;br /&gt;Nova pausa. Dessa vez, ela começou:&lt;br /&gt;- Eu acho que você não quer enfrentar os seus próprios problemas.&lt;br /&gt;- A vida é cheia de problemas.&lt;br /&gt;- Eu sei. E seria estranho se não tivesse nenhum, não é? Você não vai salvar o mundo. Você sequer tem essa intenção. E não leva o mínimo jeito também.&lt;br /&gt;- Eu preciso começar de novo. Eu preciso dar sentido às coisas. Alguma coisa faz sentido?&lt;br /&gt;- A sua vida faz sentido?&lt;br /&gt;- Não sei. Mas se nada faz sentido... então certamente há muitas coisas a se fazer.&lt;br /&gt;- É, você pode dar sentido às coisas sim. Mas não fique o tempo todo procurando e procurando e trabalhando nisso. Você precisa de um ponto de partida.&lt;br /&gt;- Eu preciso é de um ponto de união.&lt;br /&gt;Ela riu. Por um momento, fiquei em dúvida se pertencíamos àquele lugar. Então, ela falou:&lt;br /&gt;- Relaxa. Nós estamos vivos... e isso é tudo.&lt;br /&gt;- Tudo o caralho. Eu não nasci pra viver assim.&lt;br /&gt;- Assim como?&lt;br /&gt;- De maneira imposta.&lt;br /&gt;- Você não precisa viver de maneira "imposta". Mas você precisa respeitar as regras.&lt;br /&gt;- Eu quero viver do meu jeito. Eu não quero ser obrigado.&lt;br /&gt;- Obrigações fazem parte. Você não vai viver do jeito que você nasceu sabendo "o que" e "como" é viver.&lt;br /&gt;- Mas que merda, caramba. Eu só quero conseguir tudo nessa vida. Eu comecei a viver muito tarde. Olho pra trás e vejo uma trilha de arrependimentos, todos alinhados e empacotados. Eu perdi muito tempo. Talvez até "isso" seja perda de tempo. Afinal, nossa conversa não vai adiantar nada. Eu poderia...&lt;br /&gt;- Ninguém te contou ainda? A vida não é um jogo de palavras cruzadas, onde tudo se encaixa. Há inúmeros pedaços em branco que nunca terão respostas - porque o seu tempo já passou. Nada é perfeito. Viver é a arte mais difícil dessa vida! Mas você não precisa se lembrar dessa dificuldade a toda hora. Vá indo, vá...&lt;br /&gt;- Deixando passar? Você sabe - quer dizer, ninguém sabe, porque todos pensam que a minha vida é uma merda porque eu quero...&lt;br /&gt;- Sua vida não é uma merda. Eu nunca pensei isso e eu te amo.&lt;br /&gt;- Deixa eu continuar. O que eu quero dizer, enfim, é que eu não posso ficar parado e ficar vendo e revendo tudo que passa ou já passou. Eu quero viver tanta, mas tanta coisa, que nem tenha espaço para eu lembrar futuramente. Eu não posso deixar a vida passar batido. Vamos sair daqui agora. Vamos chamar todos nossos amigos, fazer declarações mútuas em conjunto e se divertir. Charlotte, eu simplesmente não agüento mais. A minha vida precisa - ela vai - mudar a partir de agora. Vamos, se levante. Vamos ir contra todas as previsões. Vamos correr pra sempre e, talvez, pensar em parar algum dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem passado, nem futuro, eu vivo um dia de cada vez&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A Letra Invisível fecha a trilogia. Eu ainda não sei se tô satisfeito com ele. Mas é o meu preferido, ainda que só na minha cabeça. E é o mais pessoal também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-515482346948865184?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/515482346948865184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=515482346948865184' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/515482346948865184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/515482346948865184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/06/letra-invisvel.html' title='Letra Invisível'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-6242752489159149299</id><published>2008-05-30T20:24:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T15:18:36.762-07:00</updated><title type='text'>Curinga</title><content type='html'>Cheguei em casa e fui direto para o quarto. Coloquei minha pasta sobre a escrivaninha de trabalho. Me despi. Eu estava cansada e hoje foi um dos piores dias do ano. Deitei na cama. Ainda virei o rosto para o lado e fixei, atentamente, duas folhas que escorregavam da minha mesa. Aqueles garranchos atravessaram minha face. Era ridículo se sentir impotente diante daquilo mas, infelizmente, era real. Antes de apagar a luz do abajur, eu acabei não agüentando: tive que chorar. Mas afinal, amanhã seria um outro dia. E eu prometi para mim mesma que não seria igual a hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me despedi deles e tomei meu rumo para casa. Tudo era muito lento: a rua parecia areia movediça, os postes se mexiam, a luz era sólida. Porém, lá estava eu, entrando na minha sala. Acabei acordando meus pais, como eu ja previa. Tudo aconteceu como a rotina manda: gritos, gritos, eu argumentando com palavras, meu pai argumentando com socos. O estômago já não sentia mais nada. As pernas estavam fracas. Mas eu cheguei até minha cama e consegui dormir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi o melhor dia do ano! Quando meu filme terminou, desliguei o DVD e estava pronta para dormir. Dei um sorriso de satisfeita: enfim, aconteceu. Eu sabia que tudo valeria a pena. Passei a mão pelos meus cabelos, depois pelos meus lábios e lembrei da cena. Era perfeito. Era um perigo perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei meu boné, joguei minha mochila sobre o sofá e fui direto ver TV. Meu Deus, eu já não suportava mais aquilo. Como poderiam todos ter tanto medo? Por que sempre temos que ter um líder? Eu não seguirei ninguém. Deve ter algum problema muito sério ali, mas ninguém se preocupa com isso. Ninguém se preocupa com ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós saímos daquele lugar imediatamente. A situação estava caótica e teríamos que correr para não sermos pegos. Passamos pelos portões e enfim estávamos do lado de fora, livres. O sol já desaparecia e fazia frio. Olhei para ela - ela mexeu nas suas mexas loiras - e nos beijamos. Por fim, meu amigo deu a idéia de irmos beber em algum lugar para matar tempo. E hoje eu vim com bastante dinheiro. Hoje a noite valeria a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sabia se ficava ou se saía. E eu também não sabia se tinha feito o correto, afinal. Eu provoquei, sim, mas como eu ficaria... "calado" numa situação daquelas? Foi um absurdo. Não, não, eu não ficaria aqui nesse lugar por mais um segundo nem morto - se bem que se eu sair daqui, bom, daí sim eu talvez esteja morto. Foda-se. Guardei o boné na mochila e saí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela perguntava constantemente o porquê de eu não cumprir com minhas obrigações. Hoje ela estava particularmente mais &lt;em&gt;feia&lt;/em&gt; do que o normal. Eu ri. Será que ela realmente sabia com quem estava falando? Não, ela não tinha nem idéia. Eu gostava da minha capacidade de só ver o que ela falava, agressivamente, enquanto que eu mesmo ficava absorto em meus pensamentos. Era uma diversão, mas hoje isso acabaria. Me levantei da cadeira e comecei a falar tudo o que ela sempre falou pra mim. Ela gritou mais alto. Olhei rapidamente para trás e todos estavam atônitos. Cuspi na cara dela. Ouvi murmúrios. Ela fez a cara mais ameaçadora que eu já vi na vida - e olha que eu já vi muita coisa. Apenas puxei a ponta de um objeto prateado que saía da minha jaqueta. Ela acabou ficando quieta. Eu notei que todos atrás de mim também viram isso. Todos pareciam a meu favor, mas eram, ao mesmo tempo, tão covardes... Perguntei quem que iria sair daqui comigo. Olhei para o meu amigo. Ele fez um sinal. Ouvi um muxoxo de um rapaz. Guardei bem seu rosto: usava um boné vermelho. Mas que idiota. Outro que não me conhece. Por fim, olhei para a menina que meu amigo falara. Ela estava com uma cara fascinada. Os dois se levantaram e me seguiram. Abrimos a porta e imediatamente o sinal para o recreio tocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava parado na frente do museu, o esperando. Um tempo depois, chegou. Nos cumprimentamos. Seguiríamos juntos o caminho para o inferno. Eu comentei de uma menina que estava a fim dele. Ele perguntou se era a morena. Eu disse que ela era morena até ontem. Hoje estava loira. Ele sorriu. Notei que havia um certo ar seco da parte dele. Não quis perguntar o que houve porque não sabia se a minha amizade com ele &lt;em&gt;permitiria&lt;/em&gt; isso. De qualquer forma, fiquei alerta. Chegamos. Hoje será um porre, eu disse. Ele me falou que seria divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de casa aos chutes. Por sorte, consegui pegar a minha jaqueta e salvar a faca que havia nela. Hoje ninguém mais iria me encher o saco. Eu era tão impotente dentro da minha própria casa. Queria que eles soubessem de mim aqui fora. Sim, havia sofrimento. E foi bom. Foi uma fase de transformação, eu diria. Quando atravesso aquela porta, sou outra pessoa, graças à tudo isso. Eu caminhava no meio de uma multidão gigantesca. Todos nós seguíamos os mesmos passos, mas acho que eu era o mais diferente dali. Eu sei que eu me destacava ao redor de tantas pessoas. Eu sentia a confiança borbulhando em mim mesmo. Eu era diferente e não fazia questão de ser compreendido - eu queria apenas agir. Não faço parte deles, tenho certeza. Eles, na verdade, têm apenas que me agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não interessa o que o bom senso diz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não interessa o que diz o rei&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se o jogo não há juiz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não há jogada fora da lei&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não interessa o que diz o ditado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não interessa o que o Estado diz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nós falamos outra língua&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Moramos em outro país&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Somos um exército, o exército de um homem só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu decidi continuar com o tema iniciado no A Onda Mata o Homem. É uma trilogia e Curinga completa a segunda parte. A terceira é, supostamente, a minha favorita. Eu já escrevi e até mesmo publiquei aqui, mas não bastou algumas horas para eu ler e ver como ficou... ruim! Eu ainda tenho que trabalhar mais nele porque eu sei que não tá completo. Tenho mais coisas a dizer e acrescentar. No mais, vou publicá-lo logo.&lt;br /&gt;E só pra constar, a trilogia fala sobre o relacionamento das pessoas com as outras, mas isso talvez já foi notado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-6242752489159149299?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/6242752489159149299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=6242752489159149299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/6242752489159149299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/6242752489159149299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/05/curinga.html' title='Curinga'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-2329819737984660115</id><published>2008-05-26T14:39:00.000-07:00</published><updated>2009-03-03T01:54:30.433-08:00</updated><title type='text'>A Onda Mata o Homem</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A Onda Mata o Homem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um dia na ilha. Eu vejo sempre, com aquele sorriso estranho, que eu não sei se é pra mim. Mas para quem mais seria? Sou só um no meio do nada, pelos menos para mim mesmo. Infelizmente.&lt;br /&gt;Acordei e fui direto para a areia. Estava no meu lugar - eu sabia que ele me pertencia. Era uma situação absurda, sim. E eu não pretendo explicá-la. É tudo tão paradoxo - eu me sinto bem, eu me sinto bem no meio do nada e isso é estranho. O que me trouxe até aqui? O silêncio. Não sei se há alguém tão diferente e parecido comigo como ela, mas enquanto que eu não acho, resolvi parar aqui. E qual a minha surpresa ao encontrá-la? Sempre parada e me desafiando. Eu amo o silêncio, mas o traí, em pensamentos.&lt;br /&gt;Sempre olhava ao meu redor e ouvia palavras e ruídos que eu desconhecia. Eu não era normal. Ou os outros que não eram? Por que todo mundo falava uma linguagem estranha? Cadê o sentido das coisas? Resolvi fugir. Ou procurar o lugar certo, como queiram. O que acontece é que eu tomei coragem e resolvi deixá-la (não que ela me pertencesse algum dia). Desculpe, mas não pude agüentar. De qualquer forma, nos encontramos aqui novamente. O que me encanta de verdade é a quietude, o vazio, a falta de palavras. É a melhor coisa do mundo. Eu não fui feito para barulhos estranhos. Não sinto a menor saudade. Talvez você pense que falta uma companhia, e aí eu respondo: ela existe. Sim! E juro que não estou ficando louco.&lt;br /&gt;Fui encontrá-la. Me levantei da areia e deixei o sol me castigar por alguns momentos. Em seguida, fui até ela. Sempre com aquele olhar misterioso que eu nunca sei se é pra mim. Eu ria e queria que ela risse também, mas isso nunca acontecia. Eu chamava a atenção. Éramos só eu e ela. O seu barulho, esse sim, me enchia de prazer. Batendo sempre contra as rochas, ela era linda, alta, esguia. De um azul infinito. Eu iria desvendá-la até não poder mais. Para sempre. Levaria uma eternidade mesmo. Ela era a pessoa - pessoa? - mais complexa do mundo. Diferente de todos, tenho certeza. Hoje sentei ao seu lado e comecei a fazer as palhaçadas de sempre. E tenho certeza: ela riu. Mas riu em outra direção. Ela olhava outro alguém, ela não &lt;em&gt;me&lt;/em&gt; olhava. Já estava acostumado, na verdade. Eu me acostumava facilmente com situações onde eu perdia. Entretanto,  hoje, ela não fixava seus olhos em mim de jeito algum. Seus olhos azuis, de profundidade oceânica, que eu conhecia tão bem...&lt;br /&gt;Porém, fui tomado por uma raiva e isso me fez assassiná-la. Lutei bravamente - ela era forte. E ria o tempo todo, achava graça! Eu era um cara engraçado, enfim? Ela quis que isso acontecesse? Eu não sei. Fiquei cego e fui matando-a rapidamente, sem o mínimo de dó ou piedade. Na hora, eu não pensei em mais nada. Só queria que ela parasse e prestasse atenção em mim, que sempre a tratei bem. Por que, mesmo em uma maldita ilha sem habitante algum, ela se recusava a olhar para mim? Eu não queria mais saber mesmo. Acho que um jorro vermelho lavou todo o meu corpo. Não tinha mais certeza do que aconteceu - era uma situação tão bizarra quanto cruel. Caí sobre seu corpo e deixei que ela me levasse para onde quisesse. Ela sempre controlou meu destino. E eu não me importava de ser controlado por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um mergulho em busca de ar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo mudou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela acordou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estava onde nunca quis estar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Onda Mata o Homem foi escrito durante uma observação do cotidiano, totalmente... do nada. Esse já é um pouco mais "meu" mesmo. Não sei se essa fase de inspiração repentina rende boas coisas - acho que meus temas andam se repetindo -, mas, de qualquer forma, (quase) tudo que for escrito estará por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-2329819737984660115?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/2329819737984660115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=2329819737984660115' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2329819737984660115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2329819737984660115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/05/captulosa-onda-mata-o-homem.html' title='A Onda Mata o Homem'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-5367883748372219211</id><published>2008-05-22T21:37:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T15:19:47.078-07:00</updated><title type='text'>Pequena Idealização</title><content type='html'>Eu quero poder correr por quinze minutos em um campo bem verde. Não haveria problema em aceitar isto. Tudo bem.&lt;br /&gt;Serei guiado por um som simples até este lugar. Quero sair daqui antes que tudo se deteriore. Farei isso em nome dos que não sabem lidar com a vida. Sou um amante do fracasso - e é um prazer culposo tão bom...&lt;br /&gt;O único habitante do meu lugar será eu mesmo. Acho que cada um tem o seu mundo de alguns hectares. O meu nem tem tantos - na verdade a proporção gigantesca me dá medo. Odeio solidão, só gosto de vez em quando. Seria legal encontrar o mundo de outra pessoa. Mas fácil definitivamente não seria. Quem sabe naquela terra que a gente tem em comum...&lt;br /&gt;As causas me mandaram para o meu lugar. Confesso que apreciei o sol, que comi uma fruta estranha caída no chão, que deitei na grama e que vi um vulto correndo no meu campo. Quem seria o intruso? Não, não, é tudo a imaginação dentro da imaginação. Ela está distante demais. Já esteve próxima, sim, mas hoje ela conhece o significado da palavra compartilhar.&lt;br /&gt;Nessa minha terra de gente estranha, o tempo passa mais rápido. E meus quinze minutos já se foram. Parei de correr, já suado e cansado. Aquilo era tudo o que eu queria na vida. Estes eram meus prazeres raros. Olhei para o meu relógio, em vão. O tempo acabou. Não sei se fico, se espero, se saio em busca do que eu realmente queria... Em todo o caso, estarei quase sempre aqui. Saí dali imediatamente. Não estava triste por &lt;em&gt;me&lt;/em&gt; abandonar - a saudade apertava e eu já estava pronto para encontrar as pessoas mais fantásticas do meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ás de espadas fora do baralho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;grandes negócios, pequeno empresário&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-5367883748372219211?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/5367883748372219211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=5367883748372219211' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5367883748372219211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/5367883748372219211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/05/pequena-idealizao.html' title='Pequena Idealização'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-2451630549100144597</id><published>2008-05-21T20:11:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T15:20:09.284-07:00</updated><title type='text'>To Not Be-Headed Anymore</title><content type='html'>Ele correu, correu, correu. Correu tanto que chegara ao fundo do poço. Estados Unidos, 1930. Uma crise que atingia a grande maioria da população. Uma crise de conseqüências financeiras para alguns e para outros, muito além disso.&lt;br /&gt;Procurava nos bolsos a explicação para a situação que estava vivendo: perdeu tudo na vida. Estava devendo um obrigado a sua esposa por tê-lo abandonado sem explicação alguma. E ainda por cima ter levado seus filhos junto. Era isso que o preocupava, muito mais do que a situação de miséria que vivia.&lt;br /&gt;Tirou o terno e desamarrou a gravata. Sentado em um banco, começou a pensar: ele não se importava de estar como estava. Não, ele apenas teve sua vida em vão jogada por alguns minutos. Mas de que valia a vida, afinal? Como ele extenderia o prazo dela? Qual era o custo? Seu tempo estava andando e ele não podia controlá-lo. Sabia do que tinha de ser feito.&lt;br /&gt;De fato, tentou achar alguma saída, procurar a verdade. Mas a verdade não era de ouro. Certo, resolveu encarar os fatos: estava na pior e não tinha ninguém ali para ajudá-lo. "Eles não existiam". O abandono não era tão reconfortante como pensara. Sua cabeça já estava insana, sua mente estava fora de controle. Ele não via mais fio algum de esperança nos céus. Tudo era engraçado até aquele ponto - a situação era tragicômica e divertida. Ou ele estava bêbado mesmo. Mas era algo que ele sempre imaginara e até queria viver: cansou de ser o mandão, o que todos pediriam ajuda porque era o Messias de seu trabalho.&lt;br /&gt;A graça acabou de repente. A realidade veio à tona. A que ponto chegara? Não havia mais tempo, não, não. Tudo girava fora de controle - ele estava fora de controle. E eram nessas horas que a mente trabalhava melhor, ele achava. Escritor fracassado.&lt;br /&gt;Ele correu, correu, correu. Era tão competente para chegar tão longe. Um mestre do trabalho, um exemplo. Estava há milhas e milhas, num espaço onde não existia a palavra desistir. Ultrapassara as barreiras naturais. A dor? A dor não existia. Não ia doer nada, definitivamente. Ele sentiu que o mundo estava preguiçoso demais para lhe dar algum motivo forte o suficiente. Em silêncio, esperou cinco segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sun's too fat to climb up the horizon - fuck it.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-2451630549100144597?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/2451630549100144597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=2451630549100144597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2451630549100144597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/2451630549100144597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/05/to-not-be-headed-anymore.html' title='To Not Be-Headed Anymore'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2369013503694881812.post-4080785080521071704</id><published>2008-05-10T23:48:00.000-07:00</published><updated>2008-05-10T23:56:31.649-07:00</updated><title type='text'>10.000 Destinos</title><content type='html'>Acordou. Estava deitado em cima de algo espesso e estranho. Com um leve ar embrigado e confuso, tentou se recompor. Já de pé, observou o local: estava exatamente no centro de uma sala circular, com portas em toda parede. Muitas portas. Tantas, que seus olhos mal conseguiam ver as mais distantes. O chão era raso, exceto pelo local onde seus pés tocavam; parecia um alçapão ou algo semelhante. Ignorou.&lt;br /&gt;O grande salão circular onde estava situado tinha um leve aspecto rústico. É, ele já sabia que estaria ali algum dia. Na verdade, ele sempre soube, e até mesmo &lt;em&gt;desejava&lt;/em&gt; estar ali, mesmo que oportunidades não faltassem. Ele as deixava passar e não sabia o porquê. Avançou contra a porta que estava exatamente na sua frente. Eram tantas... Não teria idéia do tamanho do local. Aquela era nua. Sem inscrição alguma. Ao se aproximar, sentiu um cheiro adocicado e que irritou um pouco suas narinas. Mas era bom, era gostoso. Ele queria continuar ali o resto da vida, se possível. Subitamente, saiu de perto da porta e avançou na do lado.&lt;br /&gt;Examinou-a. Aquele cheiro anterior vinha daonde? Essa não tinha nada demais. A maçaneta estava ali, mas ele não quis girá-la. Simplesmente encostou o ouvido o mais próximo possível da porta e ouviu alguma coisa... algum tipo de barulho contínuo, como uma linha que nunca mudava de direção. Era hipnotizante, porém cansativo. Após um enorme esforço, saiu dali para outra.&lt;br /&gt;Esta tinha uma imagem gravada. Mostrava um grupo de pessoas ao redor de uma mesa, jogando cartas. Todas sorriam e pareciam felizes. Ele quis levar a pintura consigo - era bonita. Porém, parou pra pensar e resolveu girar a maçaneta, certo do que aconteceria. Sua mão travou, como esperado. Soltou uma risada. Tentou abrir as outras portas que estavam ao seu alcance, mas estavam todas trancadas. E quantas deviam ter ali? Milhares. Ele não tentaria em todas elas - ele sabia a resposta.&lt;br /&gt;Era tão óbvio e previsível quanto aquele lugar. Ou inventaram uma máquina de desenhar sonhos ou o mundo estava realmente clichê, pensou. Mas não era hora de desdenhar das coisas. Deitou-se no chão e pôs-se a pensar. Todas as saídas estavam trancadas... E ele esperava por aquilo há tanto tempo. Contudo, ele mesmo as poderia ter fechado, não? "É muito fácil pensar e se redimir depois. Naquela hora, eu não queria isso". Quantos mundos alternativos nós temos... A proporção é assustadora, considerando que só temos um a viver. Somente um, e o mais difícil. "Dá preguiça. Confesso que poderia ter me concentrado mais. Deveriam nos dar um óculos antes mesmo de cortar nossos cordões umbilicais. A linha não é mais reta: ela se divide em tantas que é fácil se perder".&lt;br /&gt;Mas agora era a hora. Ele finalmente seguiria somente aquilo que planejara desde que nasceu. Ou o que lhe foi imposto... Mas era necessário. Era necessário obedecer àquela lei. Levantou-se e foi até o alçapão no meio da sala circular. Abriu-o com certa dificuldade e visualizou algo azul, branco, roxo, não sabia ao certo o que era. Saltou.&lt;br /&gt;No meio do pulo, ainda tentara trocar de canal. Ainda tentou fugir para os lugares mais confortáveis do mundo. Mas ele sabia que a aula de realidade havia dito que o próprio mundo não é - ou pelo menos a partir de agora não será - confortável. Enfim, todas as tentativas foram em vão. E ficou feliz com aquilo. Chegou a sorrir. Se não fosse por vontade própria, que fosse à força. Um dia seria forte o suficiente para controlar a si mesmo. Um dia... com mais uma enxurrada de mudanças de 12 horas e um só destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu que não fumo queria um cigarro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu que não amo você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Envelheci dez anos ou mais nesse último mês&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2369013503694881812-4080785080521071704?l=silenciosa-highway.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/feeds/4080785080521071704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2369013503694881812&amp;postID=4080785080521071704' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/4080785080521071704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2369013503694881812/posts/default/4080785080521071704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciosa-highway.blogspot.com/2008/05/10000-destinos.html' title='10.000 Destinos'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17220230649716894222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
