quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fúria

Em um calabouço esperando a sentença. O homem não vinha nunca - precisarei chamá-lo? O mundo agora era um cubículo de vidro seco que corta sem ninguém ouvir. De marcha fúnebre e festas infestadas de pessoas desapercebidas. De cheiro de doença e de ar inevitável. De festim que está sendo preparado em minha homenagem e delas, que traziam a cabeça em ossos do animal. De superficialidade e de pedidos para que não esperasse nada. E de quem ainda sua frio e não completa a mensagem. De quem é apenas um entre centenas, para quem é apenas um entre um. De quem pensa e não é pensado.
De duas tiras de madeira e de guilhotina é feito o futuro. De dèjá vús e de sapatos com pontas erguidas, de chapéus com guizados, de barulhos que relembram minha presença. De luz que não ilumina, de branco apático, de não ter nada a esperar. De não ter o que dizer, de viajar à lua, de virar astronauta e brincar de Deus. De ter consciência, de não poder exigir, de nunca mudar, de continuar a inchar. De saber que não vai explodir, de rogar a praga, de despejar fungos. De infecções generalizadas, de cortes abruptos, de ser indiferente. De conquistar atenção, de criar a cura e não contar, de vosso patrão, meu respeito. De obedecer, de respeitar, de curvar-se, de declarar inspiração, de viver futuro, de infestar teu quarto de pragas. De não esquecer por um segundo, de não esquecer por uma frase.
De barreiras que não impedem a comunicação: "sua vez".

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