sábado, 29 de novembro de 2008

Cortando Palavras e Guardando as Sobras (Para Todos Vocês)

Como posso me surpreender mais com luzes novas do que com velhas? Por vezes acho que devo ser apresentado à vocês, novas conhecidas. A certeza de que a reciprocidade é maior cresce cada vez mais.
Parem. Sempre soube que estas luzes nunca me fizeram feliz. E vocês se movimentam, rapidamente. Vocês, em uma multidão, unem-se, cantam. Cansei de estar nessa rua mal iluminada.
Como escrevo isso? Não sei. Me apunhalou sem sequer avisar que me mataria; por quê? Porque sabia que eu não iria me importar. Porque tenho coisas mais importantes a fazer. Sempre estive na penumbra e não há desculpas para não me achar. Quer me acompanhar?
Toda a raiva existente no mundo suicidou-se em uma semana. Não havia sentido para explicar, sequer para entender. Tempo não precisa ser perdido explicando ou entendendo. Tempo perdeu-se no tempo, como todos os outros. Tempo já é um velho em uma cadeira de rodas, sempre como conhecido de todos. Ele nunca morre. Ele nunca muda. Ele mata, mas é bonzinho. Tempo camarada, amigo de todos.
Então eu caminhei na cidade das luzes e, por mais que você tivesse me matado, eu não poderia reprimir uma felicidade clandestina que sempre cresce em mim quando venho aqui. Era soluçante e feliz. E o mais triste de tudo... é que tudo ficaria sempre apenas nos queros. Quero imaginar este céu e todos vocês comigo. Quero conhecer o mais íntimo do mundo de cada um. Quero saber o que é viver com vocês. Quero saber o que vocês vivem. Quero que me ensinem. Quero fugir, quero... quero... sempre quis e sempre irei querer. Pois quando quero, sou feliz por segundos. Quando quero, atinjo o limite da demência. E me mato no instante posterior.
Me diga que tudo não será em vão e que você não se importa com minha companhia. Diz que você irá rir do que eu falar. Fale (também) comigo. Deixe de ter quatro lados, expanda-se. E olhe ao seu redor. Levanto meus braços e te mostro: aqui estou eu. Olhe para mim, luz velha.
E para você, luz nova, te digo que assassinei o ano novo para ficar contigo. O tempo ficou estático e nunca mais fará história. À todos vocês que eu quero para alguns sempres, sejam novos e não envelheçam. E se envelhecerem, me levem junto. Deixe eu conhecer vocês. Não sejam tristes; apenas lembrem-se de todos os seus verões ensolarados em que eu nunca estive e ria, ria do que aconteceu.
Agora a madrugada iniciou sua atividade... e ainda estou sóbrio. Já nem ligo mais para o sentido e o significado. Você nunca percebeu que andar nas luzes me faz sentir mal?

And when the day is late
We know who must forever wait

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