quarta-feira, 21 de maio de 2008

To Not Be-Headed Anymore

Ele correu, correu, correu. Correu tanto que chegara ao fundo do poço. Estados Unidos, 1930. Uma crise que atingia a grande maioria da população. Uma crise de conseqüências financeiras para alguns e para outros, muito além disso.
Procurava nos bolsos a explicação para a situação que estava vivendo: perdeu tudo na vida. Estava devendo um obrigado a sua esposa por tê-lo abandonado sem explicação alguma. E ainda por cima ter levado seus filhos junto. Era isso que o preocupava, muito mais do que a situação de miséria que vivia.
Tirou o terno e desamarrou a gravata. Sentado em um banco, começou a pensar: ele não se importava de estar como estava. Não, ele apenas teve sua vida em vão jogada por alguns minutos. Mas de que valia a vida, afinal? Como ele extenderia o prazo dela? Qual era o custo? Seu tempo estava andando e ele não podia controlá-lo. Sabia do que tinha de ser feito.
De fato, tentou achar alguma saída, procurar a verdade. Mas a verdade não era de ouro. Certo, resolveu encarar os fatos: estava na pior e não tinha ninguém ali para ajudá-lo. "Eles não existiam". O abandono não era tão reconfortante como pensara. Sua cabeça já estava insana, sua mente estava fora de controle. Ele não via mais fio algum de esperança nos céus. Tudo era engraçado até aquele ponto - a situação era tragicômica e divertida. Ou ele estava bêbado mesmo. Mas era algo que ele sempre imaginara e até queria viver: cansou de ser o mandão, o que todos pediriam ajuda porque era o Messias de seu trabalho.
A graça acabou de repente. A realidade veio à tona. A que ponto chegara? Não havia mais tempo, não, não. Tudo girava fora de controle - ele estava fora de controle. E eram nessas horas que a mente trabalhava melhor, ele achava. Escritor fracassado.
Ele correu, correu, correu. Era tão competente para chegar tão longe. Um mestre do trabalho, um exemplo. Estava há milhas e milhas, num espaço onde não existia a palavra desistir. Ultrapassara as barreiras naturais. A dor? A dor não existia. Não ia doer nada, definitivamente. Ele sentiu que o mundo estava preguiçoso demais para lhe dar algum motivo forte o suficiente. Em silêncio, esperou cinco segundos.

Sun's too fat to climb up the horizon - fuck it.

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